Brasil constrói sua primeira casa modelo impressa em 3D!

Atualizado: Jul 16

O projeto é da 3DHomeConstruction, com base em Natal - Rio Grande do Norte.


Casa impressa em 3D com tecnologia Brasileira.

Em 2018 a InovaHouse3D passou de desenevolvedora de tecnologia, após terminar a terceira versão de sua impressora 3D de cimento, a Alya 130, para incentivadora de projetos de pesquisa e desenvolvimento no tema impressão 3D na construção - por meio da criação de um Hub de Inovação.

Depois de muito estudo de mercado, a empresa percebeu que centralizar a informação limitaria o avanço de novos projetos no país, impendindo o crescimento e a popularização da tecnologia, focando em defender sua utilização no mercado e se tornando referência no universo de insdustrialização da construção.


Acreditamos que o futuro da construção é a realização de projetos híbridos, onde a impressão 3D entra como ferramenta, ganhando vantagem principalmente na construção em escala (projetos de habitação social) e de projetos de alta complexidade geométrica (alto padrão).


2020, um novo marco!


Apesar da grande crise mundial que vivemos, devido a pandemia do Corona Vírus, a tecnologia de impressão 3D ganha força novamente, com um novo passo dado rumo ao sucesso de sua aplicação.


Um grupo de 3 engenheiros, da 3DHomeConstruction, finalizaram a primeira casa impressa em 3D do Brasil. E nós, que acompanhamos esse projeto desde seu surgimento, em 2017, ainda dentro da Universidade Potiguar, como projeto de graduação, não poderíamos deixar de registrar e divulgar esse grande acontecimento.




Por isso fizemos uma rápida entrevista com eles para matar a curiosidade sobre o projeto!


  • Como foi que a ideia de fazer um projeto de impressão de casa surgiu?

Segundo eles, o professor André Felipe, da Universidade Potiguar, convidou o então aluno de engenharia civil, Iago, para escrever seu projeto final no tema de impressão 3D de casas, durante uma conversa de corredor. O professor acompanhava o projeto que o aluno tinha de impressão 3D de plástico e acreditava que o mesmo teria conhecimento e interesse em expandir seus horizontes com as possibilidades da tecnologia.


"Confesso que a primeiro modo pensei: é possível? E logo fui pesquisar na Internet, me depararando com dois gigantes da Impressão 3D de Concreto, a chinesa Win Sun e a russa Apis Cor", disse Iago. Tendo certeza da possibilidade de realização do projeto ao descobrir que o mesmo já estava sendo estudado aqui no Brasil, pela Inova. Sem perder tempo, respondeu ao professor "Eu quero fazer, me oriente!".


O Allynson, terceiro membro desse time, entrou no projeto durante um evento científico da universidade e, segundo Iago "logo houve uma afinidade e partilhamento de idéias". Os três decidiram começar 2017 a todo o vapor, com total empenho e dedicação ao projeto, foi então que construiram sua primeira estrutura com área de impressão de 3 metros de altura, 7,6 metros de largura, e 12 metros de comprimento, que segundo Allynson "pode ser ajustada para comprimentos maiores".

  • Quem foi o maior incentivador do projeto? Quem são seus parceiros hoje?

Segundo Allynson, o professor André Dantas é o maior incentivador do projeto "ele acreditou na nossa capacidade e comprometimento com o projeto", além das parcerias acadêmicas, com a UnP e a pós-graduação em Engenharia de Materiais da UFRN. Em ambos os casos o apoio veio em forma de ensaios em laboratório, publicação de artigos e doação de alguns insumos.


Para eles, e uma verdade que a Inova entende bem, ainda é difícil de encontrar empresas dispostas a realmente apoiar iniciativas inovadoras, mesmo para insumos e matéria prima. Segundo Allynson "o máximo que conseguimos foram alguns pequenos descontos". No entanto, eles fizeram questão de mencionar empresas da região, como a Aço 101 e a EBP Projetos.

  • Quais foram os maiores desafios até conseguirem construir a casa?

Para eles o maior desafio foi "se manter firme com o recurso limitado que tínhamos para o desenvolvimento do projeto, muitas vezes não tínhamos dinheiro para comprar um equipamento, então a gente comprava metal de sucata, cortava e soldava para construir um equipamento semelhante com o desempenho próximo ao que queríamos."

  • A tecnologia de vocês já está pronta pra ir pro mercado? Vocês já tem algum projeto maior planejado?

Em conversa, a equipe disse que a construção dessa primeira casa foi um grande desafio, mesmo a máquina em pleno funcionamento, alguns problemas aconteceram no meio do caminho. Segundo Allynson, como eles estavam acostumados a trabalhar em seus projetos experimentais dentro de um galpão, "as intemperies, o bombeamento do material e a máquina às vezes não colaboravam", mas, ainda em suas palavras, "mesmo com todos esses desafios previstos na obra, percebemos o quanto essa tecnologia é promissora."


A equipe se mantém otimista, afirmando que tem projetos maiores previstos para o futuro e que precisam apenas de investimento para produzir a tecnologia em escala industrial.

  • Quanto tempo demorou pra conseguir erguer essa edificação? Já conseguiram estimar um valor pro m2?

Os três engenheiros, orgulhosos da meta realizada, nos contaram que a impressão 3D das paredes dessa casa, o processo mostrado no vídeo acima, durou 1 semana corrida. A edificação conta com os vãos de porta e parede e possui 68m2. O dado mais interessante é que o valor do m2 ficou em torno de R$50,00, podendo ser reduzido.

Uma curiosidade sobre o projeto da 3D HomeConstruction é que eles foram melhorando e adaptando a máquina inicial, sem necessidade de construir uma nova estrutura, conforme o projeto foi avançando.

  • Qual o próximo passo pra vocês?

O próximo passo é conseguir investimento para desenvolver a tecnologia, aumentando sua precisão e confiabilidade, criar um modelo de negócio que coloque esse produto no mercado, de forma competitiva, e também para dentro das universidades, como instrumento de pesquisa.


Claro que a Inova já se colcou à disposição da equipe para apoiar nesses novos desafios, será que teremos novidades por ai? #natorcida


Mais desafios pela frente...


Apesar do grande feito, sabemos que para implementar uma nova tecnologia na construção, de forma segura e acessível, muitos outros passos precisam ser dados, principalmente no Brasil.


Países como Estados Unidos, China e Emirados Árabes já estão construindo edificações impressas em 3D, mas a tecnologia ainda precisa se provar competitiva financeiramente frente às outras metodologias construtivas existentes, sejam elas mais industrializadas ou mais artesanais, como o bloco cerâmico.


Outro desafio é conseguir alcançar o nível tecnológico dos projetos internacionais, que já receberam mais de US$30 milhões de investimento, e que em pouco tempo entrarão no mercado brasileiro - tendo em vista as parcerias já feitas entre a indústria nacional e a internacional.


O futuro é AGORA.


Costumamos falar em eventos e palestras que não conseguimos mais traçar um planejamento para daqui 5 ou 10 anos, as mudanças estão acontecendo muito rápido, e se formos esperar o tempo certo, ficaremos para trás.


O pensamento agora precisa ser em como se diferenciar e usufruir da melhor forma de tudo que está em transformação. Tornar as mudanças funcionais e se preparar para a automatização dos processos.

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